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Edição 42 · Agosto 2026
Medicina que Transforma

LIBIDO FEMININA: O QUE OS HORMÔNIOS TÊM A VER COM A PERDA DO DESEJO?

Você já percebeu que seu desejo sexual não é mais o mesmo? Que aquela vontade de ter momentos de intimidade com seu parceiro diminuiu ou simplesmente parece ter desaparecido?


Essa é uma das queixas que mais escuto das mulheres que chegam no consultório. O problema é que muitas mulheres sentem vergonha de falar sobre o assunto ou acreditam que perder o desejo sexual é uma consequência inevitável do envelhecimento, ou até, um sinal de desgaste da relação.


Mas existe algo muito importante que precisamos entender: a libido feminina é influenciada por diversos fatores, e as alterações hormonais podem ter um papel importante nesse processo.


Afinal, o que é libido e por que ela diminui?


A libido é o desejo ou interesse pela atividade sexual. E, diferentemente do que muitas pessoas imaginam, ela não funciona como um botão que simplesmente liga ou desliga.


Eu gosto de comparar a libido a um painel com vários controles.


Imagine que nesse painel existam diferentes fatores: hormônios, sono, saúde emocional, autoestima, relacionamento, medicamentos, estresse e até a presença de dor ou desconforto durante a relação sexual.


Quando vários desses controles estão desregulados, o desejo pode diminuir.


Isso explica por que a sexualidade feminina é tão complexa e por que nem sempre existe uma única causa para a perda da libido.


Qual é a relação entre os hormônios e o desejo sexual?


Os hormônios participam de diferentes processos relacionados à sexualidade feminina, influenciando o funcionamento dos órgãos genitais, a resposta sexual e o bem-estar.


O estrogênio, por exemplo, tem um papel importante na manutenção da saúde vaginal, na lubrificação e no desejo sexual.


Durante a transição para a menopausa, a redução desse hormônio pode provocar ressecamento vaginal, desconforto e até dor durante as relações sexuais.


E é fácil entender como isso pode afetar a libido: quando uma experiência que deveria ser prazerosa passa a provocar desconforto, o interesse pela mesma pode diminuir.


A testosterona também merece atenção!


Ela também é produzida pelo organismo feminino e participa dos mecanismos relacionados ao desejo sexual.
Avaliar a saúde sexual exige muito mais do que analisar um único exame hormonal.


A sexualidade feminina envolve o corpo, a mente, as emoções e a qualidade dos relacionamentos.
Libido também começa no cérebro


Existe algo que sempre gosto de explicar às minhas pacientes: o desejo sexual é multifatorial.
Quando a mulher está constantemente estressada, ansiosa, sobrecarregada ou dormindo mal, esses fatores podem interferir no interesse pela intimidade.


Alguns medicamentos, especialmente determinados antidepressivos, também podem provocar alterações no desejo e na resposta sexual.


Além disso, experiências negativas, conflitos no relacionamento e dificuldades emocionais podem contribuir para esse quadro.
É por isso que, durante uma avaliação, precisamos compreender a realidade daquela mulher.


Como está o sono? Como está o relacionamento? Existe dor durante a relação? Ela está satisfeita com o próprio corpo? Está enfrentando algum problema emocional?


Essas perguntas são tão importantes quanto a avaliação hormonal.


Quando a falta de desejo merece atenção?


É importante entender que não existe uma frequência sexual considerada ideal para todas as mulheres.


Algumas apresentam naturalmente um desejo mais intenso, enquanto outras têm menor interesse pela atividade sexual, sem que isso represente qualquer problema.


A situação merece investigação quando existe uma redução persistente do desejo que provoca sofrimento, frustração ou dificuldades na vida pessoal e no relacionamento.


Muitas chegam acreditando que nunca mais terão uma vida sexual satisfatória.


Mas o primeiro passo é identificar o que está contribuindo para essa mudança.


E frequentemente encontramos uma combinação de diferentes fatores.


Por isso, cada mulher precisa ser avaliada de maneira individualizada.


Existe tratamento para recuperar a libido feminina?


Sim! Existem diferentes possibilidades de tratamento, e a escolha depende das causas identificadas durante a avaliação médica.
Quando a mulher apresenta ressecamento vaginal ou dor durante as relações, tratamentos locais podem melhorar, como por exemplo laser íntimo e creme vaginal de hormônio.


Para mulheres com sintomas do climatério e menopausa, a terapia hormonal de estradiol e testosterona pode ser indicada.
Lembrando que a comunicação com o parceiro também é fundamental!


O mais importante é compreender que não existe uma fórmula única capaz de resolver todas as situações.


Sua sexualidade merece cuidado em todas as fases da vida


Durante muito tempo, a sexualidade feminina foi tratada como um assunto secundário, cercado de vergonha, preconceitos e silêncio.


Muitas mulheres cresceram acreditando que deveriam priorizar as necessidades dos outros e deixar seus próprios desejos em segundo plano.


E quando chegam à maturidade, acabam aceitando a perda do interesse sexual como se fosse algo inevitável.
Mas envelhecer não significa necessariamente perder o prazer.


Não se trata de exigir que toda mulher tenha uma vida sexual ativa, mas de garantir que aquelas que desejam viver sua sexualidade com satisfação tenham acesso à informação, acolhimento e tratamento adequado.


Afinal, libido também é saúde, autoestima, bem-estar e conexão. E nenhuma mulher precisa se conformar com uma dificuldade que está comprometendo sua qualidade de vida sem antes buscar compreender suas causas.


Mulher NÃO pode se acostumar a viver mal. Cuidar da sua sexualidade também é cuidar de você!