Efeitos climáticos e a falta de política pública castigam o agronegócio sul-mato-grossense
O agronegócio segue como uma força motriz na economia do Mato Grosso do Sul, gerando emprego, renda e contribuindo significativamente para o desenvolvimento socioeconômico da região.
A baixa produtividade da soja no Mato Grosso do Sul devido à seca tem sido um dos principais desafios enfrentados pelos produtores na safra atual. O estado, reconhecido como um dos maiores produtores de soja do Brasil, sofre com a irregularidade das chuvas, que tem impactado diretamente o desenvolvimento das lavouras e reduzido as estimativas de colheita.
O clima mais seco neste ciclo está relacionado a fenômenos meteorológicos, como o El Niño, que altera os padrões de precipitação em várias regiões do Brasil. No Mato Grosso do Sul, isso resultou em chuvas abaixo da média e períodos prolongados de estiagem com altas temperaturas.
A falta de chuvas no período crítico do ciclo da soja, especialmente durante a floração e o enchimento de grãos, comprometeu o potencial produtivo das plantas. Em algumas regiões do estado, a produtividade caiu significativamente, ficando abaixo da média histórica.
Além da queda no volume produzido, a seca também prejudicou a qualidade dos grãos colhidos, o que pode reduzir o valor de mercado da produção e aumentar os prejuízos para os produtores.
Com a redução da produtividade, muitos agricultores enfrentam dificuldades para cumprir contratos de venda antecipada e arcar com os custos de produção. Além disso, a baixa produção afeta a arrecadação estadual e a economia local, que depende fortemente do agronegócio.
Embora a safra de soja atual esteja comprometida, as perspectivas para os próximos ciclos dependem de uma melhora nas condições climáticas e de políticas públicas que apoiem os produtores na mitigação dos riscos associados às mudanças climáticas. Investimentos em infraestrutura hídrica e seguro rural também são essenciais para garantir maior estabilidade ao setor.
A pecuária é outro pilar importante da economia do estado, com destaque para a produção de carne bovina de alta qualidade. O Mato Grosso do Sul se consolida como um dos maiores exportadores do país, especialmente para mercados como China e Oriente Médio. A busca por rastreabilidade e manejo sustentável do gado tem sido um diferencial competitivo.
O estado também tem investido em práticas de agricultura regenerativa e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que promovem a recuperação de pastagens degradadas e aumentam a eficiência no uso da terra. Além disso, há iniciativas voltadas para a redução das emissões de carbono no setor agropecuário. A adoção de tecnologias, como drones, sensores climáticos, aplicativos de gestão agrícola e monitoramento por satélite, tem transformado o agronegócio no estado. Essas ferramentas ajudam a otimizar a produção e reduzir custos, garantindo maior competitividade.
Vander Dosso | Engenheiro Agrônomo
Sócio-Proprietário da Dosso e Dosso Ltda